Arcanos performáticos

Por Fernanda Navegando

"A arte mística é uma possibilidade de mostrar que somos co-criadores de fato com o universo, já que podemos representar os sonhos manifestos em obras, e assim geramos criações que vibram em novas e antigas visões. Metáforas dos desejos, mundos paralelos e tão comuns." Fernanda Navegando

 "Acredito que novos mitos nascem de acordo com a produção de imagens e histórias sobre olhares ressignificados, percebendo o fato da existência da diacronia, onde se faz o encontro dos fragmentos do tempo. Aliei a ideia da performance fotográfica com a ideia do oráculo, que nos transmite o mistério e as identificações arquetípicas no intuito de mostrar que estamos entrelaçados nos mitos e estórias, e à medida que a arte corporifica os mitos, vamos criando outros. O mito então deixa de ser distante de nós como se pressupõe cuturalmente, pela relação que tem com o fantasioso e os livros, e começa a se tornar consciente em novas formas, pois estará arraigado em nossas realizações e construções diárias ... Percebi o quanto o dispositivo fotográfico, é uma das formas mais qualificadas para manifestar o inconsciente coletivo, os mitos, os signos, os símbolos, já que, com o uso do corpo performático, a mensagem é passada com empatia aos expectadores, pois há identificação com esse corpo que interpreta as imagens culturais. Pela fotografia se pode projetar ideias, ressignificar e significar culturas orais, criar narrativas, plásticas/estéticas que sobrevivem ao longo da história. Refleti como a performance fotográfica é uma maneira muio atual de mostrar o poder da hibridação das linguagens, que já não se apresentam mais como normativas isoladas, mas sim unificadas em um mesmo suporte"

 Relato de pesquisa e experimentação

Eu Fernanda Navegando 29 anos, Mineira, terráquea de passagem, sou apaixonada pelo Tarot, pelos oráculos e os simbolismos de linguagem, assim como os culturais, íntimos e coletivos. Pesquiso os 22 arcanos maiores do tarot de Marselha há 7 anos de forma bem empírica. Na vida ativa e pelo livro "La via del Tarot" do cineasta/ tarólogo Alejandro Jodorowsky e Marianne Costa arte- terapeuta. Em 2016 na cidade de Porto/ Portugal no início do projeto de Mestrado me indaguei e fui indagada de qual tema iria seguir. Achava que era videodança, pois esse era meu projeto inicial. Mas não, fui arrebatada pelos arcanos maiores, já que os já conhecia bem. Li "Jung e o Tarot" de Sallie Nichols e continuei minha pesquisas no " La via del Tarot". Nunca havia imaginado que seria em berço acadêmico, nem muito menos com métrica institucional, a realização de um trabalho com o Tarot. Mas isso foi sublimado e transversalizando com o desejo sincero de manifestar meu mundo interno. Poética, ato performático.

Estudei os 22 arcanos, um por um, fiz um mergulho dentro de cada e os vivenciei visceralmente, já que depois minha proposta era criar 11 personas/ arcanos dos quais seriam baseados em estudos complementares e comparativos; em duplas que formaria de acordo com semelhanças e disponibilidades simbólicas. Uni o O Imperador e A Imperatriz, O Diabo e O Mago, O Sol e A Lua, A Estrela e A Temperança, A Torre e O Enforcado, O Papa e A Papisa, O Eremita e O Mundo, A Força e O Enamorado e A Roda e O Carro.

A partir desse momento foram surgindo personagens, figurinos, maquiagem, colagens, planos cósmicos criativos, manifestações das partes visuais, simbioses, encaixe de paradigmas estéticos, fluição, fricção e a ressignificação de um mundo imaginário. Manuel Vason me inspirou muito em tua manifestação artística. As cartas que criei foram elaboradas imageticamente e filosoficamente pelos meus impulsos. A pós produção tive ajuda de uma conhecida, Joana Duarte, fotógrafa e desing de Lisboa, mas toda concepção já estava pronta para a hora da execução. Os arcanos performáticos são relatos de uma viagem interna, foto performance, ato do corpo, projeção dos sonhos.











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