8a Mostra de Cinema de BH: um pouco crua, porém promissora

Por Regiane Mazzer

Festivais de cinema sempre foram muito bem vindos, eles são uma oportunidade sem igual para que os amantes do cinema se aproximem do universo da produção, tenham acesso aos profissionais que circulam nos corredores dos espaços de exibição, contam com uma boa e farta grade de exibição, workshops, oficinas, enfim, eles sempre constituíram um espaço privilegiado de aproximação da indústria do cinema com o público consumidor.

 E eis que Belo Horizonte recebe desde a última semana sua 8a edição da Mostra de Cinema. A cerimônia de abertura se deu no Centro Cultural Banco do Brasil, um espaço distinto como se pede em uma ocasião dessas. Com casa cheia, ou melhor, lotada, os convidados ocuparam o hall de entrada fazendo aquilo que se apraz numa mostra: interação. Produtores, técnicos, atores e lobistas empolgados em “trocar experiências” enquanto do lado de fora circularam aproximadamente 200 espectadores esperançosos por um ingresso. Sucesso total. Ou não.

 Acontece que a organização do evento divulgou que haveria retirada de ingressos 1 hora antes da sessão, o que levou para lá dezenas de pessoas inclusive moradores locais que lá estiveram duas horas antes. No entanto, não havia ingressos... Também pudera, somente os convidados especiais já ocupariam quase toda a sala. Mas e o público? O público pacientemente esperou até o horário, havia um único responsável para atender as pessoas que ali aguardavam desinformadas, pouco se soube, no máximo que a organização iria providenciar transporte para levá-los ao Palácio das Artes onde improvisariam uma sessão extra. Coisa que aconteceu, sem o transporte prometido. No Palácio as coisas eram semelhantes, ninguém para recepcionar, claro, aquela sessão não estava prevista, mas a surpresa foi que apareceram aproximadamente 60 espectadores entusiasmados, inclusive um deficiente visual muito queixoso do tratamento excludente que o deram.

O rapaz, impedido de entrar no CCBB, ainda teve que ouvir dos organizadores que os responsáveis do espaço seriam consultados para ver se autorizariam sua entrada. Mas ora! E a acessibilidade? Hoje todos os espaços culturais possuem reservas para cadeirantes, obesos, deficientes... E isso tudo assegurado pelo artigo 12 da Lei No 10.098. Enfim, assim como o rapaz cego, todos esperaram pacientemente até que, com dois minutos de atraso, a sala foi aberta. E as surpresas não pararam por aí, aquela mesma única menina responsável pelo evento abriu a sessão agradecendo a persistência das pessoas que se deslocaram até ali, pediu desculpas e numa tentativa de animar o ambiente “...se isso deixá-los um pouco mais contentes de terem vindo, aviso a vocês que a sessão do CCBB ainda não começou [...] e vamos esperar mais um pouquinho para começar porque a equipe do filme virá assistir conosco”. Hã?

Apesar dos pesares, a exibição foi ótima, o filme muito bom e o glamour de uma sessão de abertura de uma mostra tentou se consolidar ao final com a interação do público presente com o pessoal do cinema. A impressão que ficou é a de que o 8o festival de cinema de BH ainda é muito falho com aquilo que é tão fundamental quanto à estrutura do evento: acolher e estimular o púbico espectador. Mas vamos lá, no final a oportunidade está aí. Que venham bons filmes e que sejamos pacientes!

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