Novo ciclo mutações faz elogio à preguiça

Ciclo de Conferências será realizado de 16 de agosto a 6 de outubro, na Casa Fiat de Cultura

Começa no dia 16 de agosto, terça-feira, no auditório da Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, mais um ciclo de conferências idealizado e dirigido por Adauto Novaes, Mutações: Elogio à preguiça que vai reunir pensadores brasileiros e estrangeiros.

O Professor Francis Wolff abre o ciclo com a palestra “A apologia grega da preguiça”. Francisco de Oliveira, Marilena Chauí, Sergio Paulo Rouanet, Jean-Pierre Dupuy, José Miguel Wisnik, Antonio Cícero, João Carlos Salles, Francisco Bosco, Jorge Coli, Olgária Matos, Maria Rita Kehl, Luiz Alberto Oliveira e Marcelo Jasmin são alguns dos 23 conferencistas. Relação completa das palestras no final do texto. Ainda no dia 16 de agosto, após a conferência de Francis Wolff, será lançado o livro Mutações - a invenção das crenças,organizado por Adauto Novaes, da Editora SESC, que reúne o conteúdo de todas as palestras do ciclo de 2010.

Elogio à preguiça é uma realização da Artepensamento, do Sesc São Paulo, da Casa Fiat de Cultura e da Caixa Cultural e Ministério da Cultura. Tem o patrocínio da Petrobras, co-patrocínio da Fiat e da Caixa Econômica Federal e apoio da Academia Brasileira de Letras, da Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (APPA), do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, da Universidade de Brasília, da Embaixada da França e da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Adauto Novaes fala sobre o novo ciclo, que terá conferências também em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. “A proposta de um ciclo de conferências sobre a preguiça pode parecer estranha. Talvez fosse mais correto refletir sobre seu oposto, o trabalho, uma vez que os sociólogos dizem que nunca se trabalhou tanto como hoje. Mas, por estar tão próximo e envolvido, de corpo e alma, nas ideias de progresso e na construção da civilização técnica, muitas vezes o trabalhador perde a con¬sciência da sua condição. O mundo do trabalho recebe de cada trabalhador sua força, sua ação e seus impulsos. A existência deste mundo, tal como o vemos, será tão mais potente quanto mais ignorarmos que ele vem de nós, de nosso espírito. A escolha do ocioso não é, pois, arbitrária: ao se pôr à distância, ele pode ver melhor as contradições e dizer qual o sentido da vida no mundo do trabalho incessante. E talvez dar razão a Albert Camus: “São os ociosos que transformam o mundo porque os outros não têm tempo algum”.

A série sobre as Mutações começou em 2007, com o ciclo Mutações – novas configurações do mundo e analisou de que maneira a ciência e a técnica estão produzindo transformações em todas as áreas da atividade humana; em 2008, Mutações - a condição humana analisou o que é viver neste mundo, dominado pela tecnociência; no ciclo de 2009, o tema foi o vazio do pensamento, em Mutações – a experiência do pensamento; em 2010, o debate foi sobre o papel das crenças ativas e passivas em Mutações – a invenção das crenças chega. Em 2011 Elogio à preguiça vai refletir sobre a condenação da preguiça, pelo mundo do trabalho mecânico e da importância do ócio no desenvolvimento do trabalho intelectual e artístico.

“Sabe-se que uma única palavra é suficiente para arruinar reputações e, entre todas, a preguiça é, certamente, uma das mais suspeitas e perigosas. Dela decorre longo cortejo de acusações bizarras, mas também noções de obras de arte, poesia, romance, pinturas, reflexões filosóficas: o preguiçoso é indolen¬te, improdutivo, nostálgico, melancólico, indiferente, distraído, voluptuoso, incompetente, ineficaz, lento, sonolento, silencioso: quem se deixa levar por devaneios. Apesar da oposição, preguiça e trabalho guardam um misterioso parentesco, quase simétrico e especular. A vida íntima que a preguiça leva com o trabalho pode-nos revelar que o preguiçoso trabalha muito. Como?Para o preguiçoso, “é preciso ser distraído para viver” (Paul Valéry), afastar-se do mundo sem se perder dele, sendo ele, exatamente por isso, acusado de em nada contribuir para o progresso. Além de praticar crime contra a sociedade do trabalho, o preguiçoso comete ainda pecado capital. Pela lógica do mundo do trabalho e da Igreja, o preguiçoso deve, portanto, sentir-se culpado e pagar pelo que não faz.”

Mutações elogio à preguiça terá seu encerramento, em Belo Horizonte, no dia 6 de outubro com a palestra espetáculo de José Miguel Wisnik Utopia de Itapuã que terá a participação do compositor e violonista Arthur Nestrovski. A partir de Dorival Caymmi, a apresentação que não é exatamente show, nem propriamente aula, mas uma mistura original das duas coisas: reunindo os talentos musicais, literários de Wisnik e Netrosvski o espetáculo traz uma seleção de canções, de Wisnik e outros autores (incluindo o próprio Nestrovski), entremeadas de conversas sobre vários assuntos. Da formação do cancioneiro brasileiro ao artesanato de letra e música.

Lançamento de livro Mutações – A invenção das crenças

Durante o Ciclo de Conferências Mutações elogio à preguiça, será lançado o livro Mutações – A invenção das crenças, quarto volume da série, publicado pelas Edições SESC SP. Adauto Novaes reuniu contribuições de 22 filósofos brasileiros e estrangeiros,ressaltando as crenças religiosas, políticas ou sociais que sempre tiveram papel determinante na história. Nesta obra, as crenças são entendidas como “os ideais políticos, os valores morais e éticos, as novas visões de mundo, as construções imaginárias nas artes, enfim, tudo aquilo que Paul Valery define como coisas vagas, isto é, tudo aquilo que se opõe aos fatos ou à ‘realidade’”, explica Novaes.

Os artigos, assinados por nomes como Franklin Leopoldo e Silva, Vladimir Safatle, Jorge Coli, Jean-Pierre Dupuy, Fraçois Jullien e Pascal Dibie, são resultado das palestras apresentadas no Ciclo Mutações – A invenção das crenças, em 2010, na Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, que também foi realizado nas cidades de Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Curitiba e São Paulo. Pela série Mutações, já foram publicados Mutações – A experiência do pensamento, A condição humana – As aventuras do homem em tempos de mutações e Mutações – Ensaios sobre as novas configurações do mundo.

PROGRAMAÇÃO

16 de agosto
Francis Wolf
A apologia grega da preguiça

17 de agosto
Francisco de Oliveira
Que preguiça

18 de agosto
Marilena Chauí
Sobre o direito à preguiça

23 de agosto
José Raimundo Maia Neto
Três ociosos: Sócrates, Montaigne e Machado

24 de agosto
Oswaldo Giacoia Junior
Dizer sim ao ócio ou “Viva a preguiça!”

25 de agosto
Sergio Paulo Rouanet
Preguiça e ócio na ética iluminista

30 de agosto
Jean-Pierre Dupuy
O tempo que nos resta

31 de agosto
José Miguel Wisnik
Ócio, labor e obra

1° de setembro
Antonio Cícero
Poesia e Preguiça

06 de setembro
Frédéric Gros
A política de controle do tempo

08 de setembro
Eugène Enriquez
O ócio e a construção de si

13 de setembro
Renato Lessa
Da preguiça como metafísica

14 de setembro
Franklin Leopoldo e Silva
Rousseau e os devaneios do caminhante solitário

15 de setembro
Vladimir Safatle
O esgotamento da ética do trabalho

20 de setembro
João Carlos Salles
Sobre a virtude da lentidão

21 de setembro
Francisco Bosco
O leitor preguiçoso

22 de setembro
Jorge Coli
Sexo, preguiça, bonheur

27 de setembro
Olgária Matos
Educação para a preguiça

28 de setembro
Maria Rita Kehl
Boêmia e malandragem: a preguiça na cadência do samba

29 de setembro
Guilherme Wisnik
Experiência da improdutividade


04 de outubro
Luiz Alberto Oliveira
Sobre inércia e estabilidade

05 de outubro
Marcelo Jasmin
A moderna experiência do progresso

06 de outubro
Arthur Nestrovski e José Miguel Wisnik
Utopia de Itapuã

Serviço:

Mutações: Elogio à Preguiça
As conferências serão realizadas de 16 de agosto a 6 de outubro,
Às terças, quartas e quintas-feiras, às 19h30
Auditório da Casa Fiat de Cultura (Rua Jornalista Djalma Andrade, 1250 – Belvedere).
Informações: http://www.casafiatdecultura.com.br/ – Tel: (31) 3289-8900

Inscrições:

As inscrições podem ser feitas pelo telefone (31) 3224-5350 ou pelo e-mail appa@appa.art.br.
Investimento: Ciclo inteiro - R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia)

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